quarta-feira, 18 de agosto de 2010

A arte e o didatismo nas traduções de Pinóquio

Resumo
A literatura infantil brasileira valeu-se por muito tempo com a tradução e adaptação de obras européias, mas pouco se pensava sobre o impacto efetivo dessa literatura no público infanto-juvenil.
Atualmente a preocupação com a literatura infanto-juvenil aumentou consideravelmente como ferramenta didática e mesmo para entretenimento. Há autores nacionais importantes, mas as obras traduzidas ainda têm seu papel, e o tradutor deve ter consciência desse público peculiar, que requer muitas vezes uma linguagem específica, que transmita o lúdico, a fantasia e a magia sem ser pedante ou piegas.
Cada obra tem um objetivo, um público alvo, e todo um aparato ideológico por trás das escolhas do autor, portanto, ao traduzir, o tradutor deve estar ciente desses fatores e ter claro o propósito da tradução.
A obra escolhida para análise foi Le avventure di Pinocchio, uma obra de 1883 onde maravilhoso está claramente presente na marionete que quer ser um menino de carne e osso, escrita por Carlo Collodi, traduzida em várias línguas, e tendo a versão original adaptada diversas vezes. Esse livro é um clássico da literatura universal que no Brasil apareceu primeiramente com a tradução portuguesa do começo do século XX, e mais tarde, em 1933, Monteiro Lobato fez a primeira tradução de Pinóquio.
Clássico da literatura infantil, Le avventure di Pinocchio teve nove traduções publicadas entre 2002 e 2008, e dessas, escolhemos quatro para analisar os pontos de maior divergência de léxico, tradução de pronome, diminutivo e oralidade.

As traduções analisadas foram:
- Marina Colasanti, Companhia das Letrinhas (2002)
- Gabriela Rinaldi, Iluminuras (2002)
- Carolina Cimenti, L&PM (2005)
- Eugênio Amado, Villa Rica (2006)

Essas quatro traduções de Pinóquio apresentam pequenas e grandes diferenças entre elas, portanto, pretendemos neste trabalho cotejar as quatro traduções e analisar as diferenças, a fim de estabelecer a tradução com características mais didáticas e a tradução mais artística.
A reflexão sobre o quanto uma obra é didática ou artística, faz-se necessária dada a importância e a preocupação que se deve ter com a linguagem para veicular informações e histórias para crianças, a fim de colaborar para uma formação rica e efetiva. Mas temos claro que arte e didatismo não necessariamente devam estar separados, e que a melhor tradução provavelmente será aquela que melhor equilibra esses dois aspectos.
O ponto de partida para essa pesquisa foi um artigo publicado na Revista Língua nº 22[1], onde são comparados trechos das traduções aqui abordadas. A análise feita no referido artigo levou-nos a pensar sobre os cuidados com a linguagem quando se visa a traduzir para o público infantil.
O estudo proposto abordou os conceitos pedagógicos intrínsecos que podemos levar em consideração a fim de escolher, ou mesmo fazer, uma tradução mais adequada com objetivo didático ou artístico para o público infantil. Tal discussão pode colaborar para definir diretrizes para uma linguagem para os jovens leitores que seja instrutiva e ao mesmo tempo artística, sem subjugar a capacidade cognitiva da criança, desafiando-a mas sem desmotivá-la.
[1] Revista Língua nº 22, agosto de 2007, artigo As Peraltices de Pinóquio por Gabriel Perissé


Por: Vanessa Marques (Resumo do Trabalho Individual de Graduação em Italiano - TGI)

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