quarta-feira, 18 de agosto de 2010

14/08 - Jostein Gaarder no Salão de Idéias da Bienal do Livro 14/08




A arte e o didatismo nas traduções de Pinóquio

Resumo
A literatura infantil brasileira valeu-se por muito tempo com a tradução e adaptação de obras européias, mas pouco se pensava sobre o impacto efetivo dessa literatura no público infanto-juvenil.
Atualmente a preocupação com a literatura infanto-juvenil aumentou consideravelmente como ferramenta didática e mesmo para entretenimento. Há autores nacionais importantes, mas as obras traduzidas ainda têm seu papel, e o tradutor deve ter consciência desse público peculiar, que requer muitas vezes uma linguagem específica, que transmita o lúdico, a fantasia e a magia sem ser pedante ou piegas.
Cada obra tem um objetivo, um público alvo, e todo um aparato ideológico por trás das escolhas do autor, portanto, ao traduzir, o tradutor deve estar ciente desses fatores e ter claro o propósito da tradução.
A obra escolhida para análise foi Le avventure di Pinocchio, uma obra de 1883 onde maravilhoso está claramente presente na marionete que quer ser um menino de carne e osso, escrita por Carlo Collodi, traduzida em várias línguas, e tendo a versão original adaptada diversas vezes. Esse livro é um clássico da literatura universal que no Brasil apareceu primeiramente com a tradução portuguesa do começo do século XX, e mais tarde, em 1933, Monteiro Lobato fez a primeira tradução de Pinóquio.
Clássico da literatura infantil, Le avventure di Pinocchio teve nove traduções publicadas entre 2002 e 2008, e dessas, escolhemos quatro para analisar os pontos de maior divergência de léxico, tradução de pronome, diminutivo e oralidade.

As traduções analisadas foram:
- Marina Colasanti, Companhia das Letrinhas (2002)
- Gabriela Rinaldi, Iluminuras (2002)
- Carolina Cimenti, L&PM (2005)
- Eugênio Amado, Villa Rica (2006)

Essas quatro traduções de Pinóquio apresentam pequenas e grandes diferenças entre elas, portanto, pretendemos neste trabalho cotejar as quatro traduções e analisar as diferenças, a fim de estabelecer a tradução com características mais didáticas e a tradução mais artística.
A reflexão sobre o quanto uma obra é didática ou artística, faz-se necessária dada a importância e a preocupação que se deve ter com a linguagem para veicular informações e histórias para crianças, a fim de colaborar para uma formação rica e efetiva. Mas temos claro que arte e didatismo não necessariamente devam estar separados, e que a melhor tradução provavelmente será aquela que melhor equilibra esses dois aspectos.
O ponto de partida para essa pesquisa foi um artigo publicado na Revista Língua nº 22[1], onde são comparados trechos das traduções aqui abordadas. A análise feita no referido artigo levou-nos a pensar sobre os cuidados com a linguagem quando se visa a traduzir para o público infantil.
O estudo proposto abordou os conceitos pedagógicos intrínsecos que podemos levar em consideração a fim de escolher, ou mesmo fazer, uma tradução mais adequada com objetivo didático ou artístico para o público infantil. Tal discussão pode colaborar para definir diretrizes para uma linguagem para os jovens leitores que seja instrutiva e ao mesmo tempo artística, sem subjugar a capacidade cognitiva da criança, desafiando-a mas sem desmotivá-la.
[1] Revista Língua nº 22, agosto de 2007, artigo As Peraltices de Pinóquio por Gabriel Perissé


Por: Vanessa Marques (Resumo do Trabalho Individual de Graduação em Italiano - TGI)

Pinóquio - Considerações Iniciais

Apenas sendo um pedaço de madeira já podia causar muita confusão entre dois amigos, mestre Cereja e Polentinha, esse último que detesta o apelido. Polentinha é Geppetto, que ganha esse pedaço de madeira mágico e mal-criado, o esculpi, transformando-o em marionete que age como um menino muito travesso, mas anseia ser de carne e osso e per bene, ou seja, um menino bonzinho.
O maravilhoso está claramente presente na narrativa de Collodi, Le avventure di Pinocchio, e na jornada de Pinóquio até se tornar um menino de verdade temos situações que indiretamente demonstram como ser uma pessoa do bem, como distinguir o certo do errado e amadurecer diante das adversidades.
Escrito por Carlo Lorenzini, que adotou o pseudônimo de Collodi (nome da cidade natal da mãe dele), entre julho de 1881 e janeiro de 1883, no formato de folhetim para o jornal Giornale per i bambini em Firenze, virando livro só em 1883 pela Felice Paggi - Libraio Editore, com ilustrações de Enrico Mazzanti.
Mas dizem as más línguas que Collodi escreveu Pinóquio em uma noite para conseguir dinheiro para pagar suas dívidas com o jogo, sendo verdade ou apenas lenda, o valor das Aventuras de Pinóquio é incontestável, sendo uma obra considerada clássica, lida e traduzida até hoje.
A trama dessa obra é ambientada na Toscana, na época do ducado, como podemos notar quando o autor se refere ao dinheiro, tempo que se refere à moeda corrente no tempo de Leopoldo II 1824 a 1859.
Tanto o contexto em que Pinóquio se move quanto o que Collodi vive é de periferia, pobreza, interior. Dessa forma Collodi pode fazer suas críticas à sociedade injusta em que vive sem problemas com censura ou retaliação.
Por toda a narrativa Pinóquio se depara com uma realidade dura, seja vendo um velhinho que não tem nada para oferecer, ou seres que querem levar vantagem em cima de outros, mas que são tão miseráveis quanto qualquer outra personagem.
O pedaço de madeira mágico não foi encontrado por Geppetto, mas pelo mestre Cereja, como já mencionado. Mestre Cereja pretendia fazer um pé de cadeira, mas foi tão insultado pelo pedaço de madeira que aproveitou a visita de Geppetto para resolver seu problema, passando adiante aquele pedaço de madeira encrenqueiro.

Geppetto é muito humilde, e pretende fazer uma marionete especial para ganhar mais dinheiro com suas apresentações. Mas não é isso que acontece, e ele mesmo percebe isso enquanto esculpi Pinóquio, que não para quieto, agride Geppetto e esse com essa violência se vê como pai daquele boneco, sendo assim obrigado a educá-lo.
Pinóquio está entre o mágico e o real, quer ser um menino de verdade e do bem, e nas suas aventuras vive experiências que demonstram como ele é uma marionete na mão de seres que querem tirar vantagem de sua inocência de criança, ser infante sem voz e capacidade de distinguir entre o certo e o errado, o duvidoso e o seguro, e sendo sempre propenso ao erro.
Mas essa propensão ao erro vai diminuindo na evolução da história de Pinóquio graças a fada de cabelos turquesa, que tem um papel de irmã e mãe, ajudando a marionete a compreender seus erros, dando subsídios para ele ser um menino de verdade, por ter “nascido” grande, pulando fases e sendo muito mais inocente, e até ignorante, do que um menino de sua idade.
Pinóquio passa por várias situações que desvelam crueldade e tristeza, o que torna as aventuras de Pinóquio até certo ponto pioneiras (até certo ponto, pois ainda há um final feliz aguardando Pinóquio no final da narrativa), já que a visão de criança do Oitocentos estava apenas começando a permitir tal possibilidade.
Ainda que hoje a crueldade e maldade presentes em Pinóquio pareçam alegres se comparados aos desenhos animados que as crianças assistem hoje. De qualquer maneira, o enredo de Pinóquio se destoa das obras populares da época, como o boom dos irmãos Grimm e as obras com objetivos pedagógicos.
E ao contrário do otimismo pedagógico das obras da época (como Cuore de Edmundo D’Amicis) Pinóquio acaba sendo irônico e até satírico e sarcástico, devido a vários referimentos a pedagogia formal pela qual Pinóquio passa, revelando contradições incongruências presentes na educação escolar da época, e que infelizmente aprecem persistir até hoje. Percebemos então como a dialética adotada por Collodi enfatiza e denuncia a artificialidade da sociedade, como por exemplo as personagens do juiz e o professor, que demonstram como o sistema é hipócrita e favorece poucos.
Um outro ponto interessante da obra é a consciência esmagada do Pinóquio... O coitadinho do grilo falante que é amassado depois de azucrinar Pinóquio mostrando como ele agiu errado desobedecendo seu pai Geppetto. Ele é a primeira figura a contestar as atitudes do Pinóquio, mas esse ainda não tem maturidade para aceitar, e acredito que toda criança faria o mesmo que Pinóquio se fosse possível.
Na versão Disney, o grilo também é ameaçado várias vezes pela marionete, e sua prudência é representada pelo guarda-chuva.
O nome Pinóquio não é uma invenção do Collodi, existe uma Fonte di Pinocchio que fica próximo ao colégio que Collodi estudou, no Vale da Elsa. O nome Pinocchio é uma palavra típica do italiano falado na região de Toscana e significa pinhão (do italiano pinolo). Geppetto escolheu esse nome por conhecer uma família de Pinóquios muito afortunada, sendo o mais rico pedinte de esmolas. Collodi provavelmente faz graça com essa realidade dura que o cercava e que Pinóquio convive, mostrando mazelas da sociedade da época.
Podemos ler Pinóquio como sendo uma obra pertencente ao Realismo, como a história de um menino pobre de uma província no Oitocentos. Um livro simpático, ainda que duro, e até pode ser tido como um livro educativo, por dar lições através do Pinóquio de como ser uma criança melhor, e se tornar um homem, pois dá noções de deveres de adultos.

Por: Vanessa Marques

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Maurício de Sousa

Maurício de Sousa, após a palestra no I Encontro de Produções literárias e Culturais Para Crianças e Jovens/Literatura e Sociedade (dia 04/08/2010)

Curtas da Gisele Werneck

Era Uma Vez...






Na Ponta dos Pés

Oi, pessoal!
O evento foi ótimo!
Agradecemos a todos os que estiveram presentes. Foi muito enriquecedor para o nosso grupo!!
Em breve, postarei aqui os vídeos que foram exibidos e alguns textos dos trabalhos que foram apresentados.
Fiquem de olho!
Beijos a todos

terça-feira, 3 de agosto de 2010

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Acompanhe em tempo real o I Encontro Nacional de Produções Literárias e Culturais para Crianças e Jovens através do Twitter: http://www.twitter.com/relendas